SIMMEL,
Georg. Questões fundamentais da
sociologia: indivíduo e sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
Sociologia da sociação
Esta obra é dívida em quatro
capítulos que apresentam a ideia da sociologia desenvolvida por Simmel. O fichamento obedece a ordem dos capítulos
buscando apresentar as ideias que o autor apresenta em cada um deles.
Georg Simmel, apresenta em sua
obra um modelo de estudar a sociedade, a microssociologia, ou seja, uma
sociologia focada nas interações pessoais. O autor apresenta uma defesa da
sociologia como ciência e atribui a ela objeto e métodos.
A obra traz uma amostra da
concepção que Simmel tem da sociologia sendo considerado o trabalho que mostra
a sua perspectiva e sua forma de fazer sociologia.
1 – O âmbito da sociologia
“Sempre
ouvimos dizer que toda existência deve ser atribuída exclusivamente aos
indivíduos, às suas realizações e vivências. Assim, a ‘sociedade’ seria uma
abstração indispensável para fins práticos, altamente útil também para uma
síntese provisória dos fenômenos, mas não um objeto real que exista além dos
seres individuais e dos processos que vivem” p. 8
“Mesmo
a afirmação recorrente de que só há indivíduos
humanos, e que por este motivo somente estes seriam objetos concretos de uma
ciência, não nos pode impedir de falar da história do catolicismo, da
socialdemocracia, (...) e ainda de outros milhares de fenômenos conjuntos e
formas coletivas, inclusive a própria ‘sociedade’. Assim formulada, a
‘sociedade’ é certamente um conceito abstrato, mas cada um dos incontáveis
agrupamentos e configurações englobados em tal conceito é um objeto a ser
investigado e digno de pesquisa (...)” p. 11
“Entendido
em seu sentido mais amplo, o conceito de sociedade significa a interação
psíquica entre os indivíduos. ” p. 15
“Mas
a sociedade, cuja vida se realiza no fluxo incessante, significa sempre que os
indivíduos estão ligados uns aos outros pela influência mútua que exercem entre
si pela determinação recíproca que exercem uns com os outros.” p. 17
“A
sociedade não é, sobretudo, uma substância, algo que seja concreto para sim
mesmo. Ela é um acontecer que tem uma
função pela qual cada um recebe de outrem ou comunica a outrem um destino e uma
forma. ” p. 18
“A
sociedade é concebida como a interação entre indivíduos, a descrição das formas
de interação é tarefa para uma ciência específica (...)” p. 33
2
– O nível social e o nível individual
“O
indivíduo é pressionado, de todos os lados, por sentimentos, impulsos e
pensamentos contraditórios, e de modo algum ele saberia decidir com segurança
interna entre suas diversas possibilidades de comportamento – que dirá com
certeza objetiva. Os grupos sociais, em contrapartida, mesmo que mudassem com
frequência suas orientações de ação, estariam convencidos, a cada instante e
sem hesitações, de uma determinada orientação (...)” p. 40
“É
como se cada individualidade sentisse seu significado tão-somente em
contraposição com os outros, a ponto de essa contraposição ser criada
artificialmente onde antes não existia. ” p. 46-47
“
(...) massa consiste na soma de existências puramente individuais (...) Na
verdade, porém, a massa não é essa soma, e sim um novo fenômeno que surge não
da individualidade plena de cada um de seus participantes., mas daqueles
fragmentos de cada um que coincidem com os dos demais.” p. 50
3
– A sociabilidade
“(...)
ele exerce efeito sobre os demais e também sofre efeitos por parte deles. Essas
interações significam que os portadores individuais daqueles impulsos e
finalidade forma uma unidade – mais exatamente, uma ‘sociedade’.
Defino
assim, simultaneamente, como conteúdo e matéria da sociação, tudo que existe
nos indivíduos e nos lugares concretos de toda realidade histórica como
impulso, interesse, finalidade, tendência, condicionamento psíquico e movimento
nos indivíduos – tudo o que está presente nele de modo a engendrar ou
mediatizar os efeitos sobre os outros, ou a receber esses efeitos dos outros.”
p. 60
“Tomando
por base as categorias sociológicas, defino então a sociabilidade como a forma lúdica de sociação, (...) somente
dentro da sociabilidade o grande problema, ou mesmo o maior problema da
sociedade, chega a uma solução possível (...) À medida que a sociabilidade, em
suas configurações puras, não tem qualquer finalidade objetiva, qualquer
conteúdo ou qualquer resultado que estivesse, por assim dizer, fora do instante
sociável, se apoiaria totalmente nas personalidades.” p. 65-66
“Se
a sociação é sobretudo interação, então o caso mais puro de sociação é aquele
que ocorre entre iguais, assim como simetria e equilíbrio são os elementos mais
visíveis e ilustrativos das formas artísticas de estilização.” p. 71
“Todas
as formas de interação e sociação entre os seres humanos – como o desejo de
superar o outro, a troca, a formação de partidos (...), na seriedade da
realidade, está imbuído de conteúdos intencionais. No jogo esses elementos têm
vida própria, são movidos exclusivamente pela sua própria atração. (...) As
atrações do verdadeiro jogador, estão na dinâmica e no acaso daquelas próprias
formas de atividade sociológicas. O jogo da sociedade tem um duplo sentido
profundo, a saber: não somente joga na sociedade aquele que a mantém
externamente mas com ele ‘joga-se’ de fato ‘a sociedade’.” p. 72
4
– Indivíduo e sociedade as concepções de vida dos séculos XVIII e XIX
“O
conflito entre a sociedade e o indivíduo prossegue no próprio indivíduo como
luta entre as partes de sua essência.” p. 84
“A
sociedade quer ser uma totalidade e uma unidade orgânica, de maneira que cada
um de seus indivíduos seja apenas um membro dela; a sociedade demanda que os
indivíduos seja apenas um membro dela (...)” p. 84
“Foi
no século XVIII que a necessidade suprema de liberdade encontrou sua
consciência mas desenvolvida e seus efeitos mais e acentuados, com uma
necessidade de se livrar das amarras com as quais a sociedade enquanto tal atou
o individuo.” p. 91
“Se
a liberdade, no sentido social, se refere à expressão adequada de qualquer
medida individual de força e importância na configuração de líderes e
seguidores no âmbito de um grupo, então ela está excluída de antemão. O
conflito entre a totalidade individual do ser humano e sua natureza como
elemento de grupo torna impossível a proporção harmoniosa entre qualificação
pessoal e social. Também impossibilita a síntese entre liberdade e igualdade.
Esse conflito também não pode ser eliminado numa ordem socialista, mesmo porque
não faz parte dos pressupostos lógicos
da sociedade.” p. 110
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